Ensaio sobre a cegueira (política)


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Diz o povo (que é sábio, como o povo diz) que «o pior cego é aquele que não quer ver.»
Eu julgo que em política o pior cego será o que escreve coisas destas.
Cavaco Silva perdeu o debate com Francisco Louçã. E perdeu em toda a linha. Louçã teve um desempenho excelente (não estava tão nervoso como esteve contra Paulo Portas no debate que antecedeu as últimas Legislativas). Empurrou o ex-primeiro-ministro contra as cordas e atacou-o no campo que ambos melhor dominam (a Economia) dando uma lição ao Professor.
Dizer que Cavaco esteve «impassível, sereno, tolerante» significa que quem o diz não viu - porque não quis - o nervosismo e a atrapalhação que tomaram conta dele na parte final do debate. É não querer ver o que está à vista: Cavaco agora tem que falar. E quanto mais falar mais a memória dos portugueses e portuguesas será estimulada.
Mais! A argumentação usada por Tiago Geraldo para combater a supremacia de Louçã é desprovida de qualquer análise política objectiva. Há, tão somente, meros ataques à sua personalidade. Nada mais!

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2 Responses to "Ensaio sobre a cegueira (política)"

  1. Blogger João L. Silva 

    Caro dono do G. só para, primeiro dar os parabéns pelo Blog a toda a equipa e, segundo para acrescentar que no DN de hoje, até o "abstunto" do Luís Delgado é obrigado a assumir que o Louçã ganhou o debate. Eu tenho muita pena mas não pude ver por compromissos de elevada responsabilidade familiar,(jantar fora).

  2. Blogger graimet 

    O dono do G. chama-se Carlos Guedes e está identificado na coluna da direita (era pouco perceptível mas já está alterado). O Luís Delgado devia estar a delirar para assumir uma coisa dessas. Não sei. Há muito que deixei de ler esse produto do cavaquismo. Se o leio, muito de vez em quando e por mero acaso, faço-o apenas para me divertir um pouco.
    Obrigado pelo comentário.

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Quem somos?

    Fazemos parte de uma geração que nasceu politicamente com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro. Organizámos e participámos em manifestações, vigílias e reuniões por um mundo que sabíamos não dever ser dominado por um gestor iluminado que com discursos de rigor escondia o desenhar da crise em que continuamos a viver. Porque temos memória, não esquecemos Cavaco, tal como não esquecemos os seus ministros. Não esquecemos as violentas cargas polícias sofridas, pelas escadarias da Assembleia da República e dentro das Universidades. Não esquecemos o spot da TSF que, da ponte 25 de Abril, lançava o grito para que "gajos ricos, gajos pobres"; se juntassem. Não esquecemos os políticos que Cavaco formou e que o continuaram; Durão Barroso, Santana Lopes, Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Alberto João Jardim. Não esquecemos em Cavaco, o contínuo desrespeito por tudo o que era cultura, arte ou memória. E também não esquecemos aquele dia em que Cavaco perdeu e que nos deixou reentrarmo-nos em torno das nossas vidas. Fomos desobedientes naquela altura e agora torna a ser necessário voltar a sê-lo!

    Ana
    Carlos Guedes [G.]
    Filipe Gil
    João Miguel Almeida
    João Paulo Saraiva
    Nuno Espadinha
    Tiago Mota Saraiva
    Z. N.

Centro de Estudos do Cavaquismo

    Quem faz uma procura na Internet sobre os anos em que este país viveu sob a égide de Cavaco, encontra muito pouca informação, quase nada. O Cavaco Fora de Belém é um blogue que pretende reavivar as memórias do que foi esse período negro da história de Portugal. Para tal propomo-nos recolher relatos, documentos, arquivos, imagens ou videos em formato digital, que nos permitam construir a história desse período e colocá-la online. Os vossos contributos, vindo directamente das caves e dos sotãos da história, podem ser enviados para este email: cavacoforabelem (@) gmail | com

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