Cavaco


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Para quem sempre fez política, mas nunca dela viveu é pelo menos irónico, olhar para Cavaco que nunca se assumiu como político, mas sempre viveu como tal. Por isso, mas não só por isso, não inicio este texto pós-eleitoral, por saudar o novo Presidente da República.
Penso que Portugal, embora votando em liberdade, votou mal. Portugal votou esquecido, num candidato que apenas procurou não emitir opiniões, para que ninguém se recordasse do que é, e representa. Portugal votou esquecido, no candidato que sempre procurou esconder as bandeiras que lhe estiveram por trás, os partidos que o apoiam e os interesses que protagoniza (e que se revelaram imediatamente após o anúncio da vitória). Portugal votou de olhos tapados por uma candidatura que os media diziam vencedora por 55%, 60 ou 63% e depois apenas teve 50,6% dos votos e 49,66% dos votos expressos - se contarmos com brancos e nulos. Portugal ficou a perder.
Cavaco não é, nem será o Presidente de todos os portugueses. Cavaco Silva é um Presidente que divide Portugal em dois. Eu continuarei por aí. Sempre do outro lado.

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1 Responses to "Cavaco"

  1. Blogger 日月神教-任我行 

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Quem somos?

    Fazemos parte de uma geração que nasceu politicamente com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro. Organizámos e participámos em manifestações, vigílias e reuniões por um mundo que sabíamos não dever ser dominado por um gestor iluminado que com discursos de rigor escondia o desenhar da crise em que continuamos a viver. Porque temos memória, não esquecemos Cavaco, tal como não esquecemos os seus ministros. Não esquecemos as violentas cargas polícias sofridas, pelas escadarias da Assembleia da República e dentro das Universidades. Não esquecemos o spot da TSF que, da ponte 25 de Abril, lançava o grito para que "gajos ricos, gajos pobres"; se juntassem. Não esquecemos os políticos que Cavaco formou e que o continuaram; Durão Barroso, Santana Lopes, Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Alberto João Jardim. Não esquecemos em Cavaco, o contínuo desrespeito por tudo o que era cultura, arte ou memória. E também não esquecemos aquele dia em que Cavaco perdeu e que nos deixou reentrarmo-nos em torno das nossas vidas. Fomos desobedientes naquela altura e agora torna a ser necessário voltar a sê-lo!

    Ana
    Carlos Guedes [G.]
    Filipe Gil
    João Miguel Almeida
    João Paulo Saraiva
    Nuno Espadinha
    Tiago Mota Saraiva
    Z. N.

Centro de Estudos do Cavaquismo

    Quem faz uma procura na Internet sobre os anos em que este país viveu sob a égide de Cavaco, encontra muito pouca informação, quase nada. O Cavaco Fora de Belém é um blogue que pretende reavivar as memórias do que foi esse período negro da história de Portugal. Para tal propomo-nos recolher relatos, documentos, arquivos, imagens ou videos em formato digital, que nos permitam construir a história desse período e colocá-la online. Os vossos contributos, vindo directamente das caves e dos sotãos da história, podem ser enviados para este email: cavacoforabelem (@) gmail | com

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