Quem somos?
Fazemos parte de uma geração que nasceu politicamente com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro. Organizámos e participámos em manifestações, vigílias e reuniões por um mundo que sabíamos não dever ser dominado por um gestor iluminado que com discursos de rigor escondia o desenhar da crise em que continuamos a viver. Porque temos memória, não esquecemos Cavaco, tal como não esquecemos os seus ministros. Não esquecemos as violentas cargas polícias sofridas, pelas escadarias da Assembleia da República e dentro das Universidades. Não esquecemos o spot da TSF que, da ponte 25 de Abril, lançava o grito para que "gajos ricos, gajos pobres"; se juntassem. Não esquecemos os políticos que Cavaco formou e que o continuaram; Durão Barroso, Santana Lopes, Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Alberto João Jardim. Não esquecemos em Cavaco, o contínuo desrespeito por tudo o que era cultura, arte ou memória. E também não esquecemos aquele dia em que Cavaco perdeu e que nos deixou reentrarmo-nos em torno das nossas vidas. Fomos desobedientes naquela altura e agora torna a ser necessário voltar a sê-lo!
Ana
Carlos Guedes [G.]
Filipe Gil
João Miguel Almeida
João Paulo Saraiva
Nuno Espadinha
Tiago Mota Saraiva
Z. N.
elevado!
escrevo já depois do resultado conhecido das eleições...
Nestas eleições, não votei em branco, mas nas anteriores autárquicas e legislativas foi esse o meu sentido de voto.
É lamentável que a Constituição considere os votos em branco como não "validamente expressos".
Têm (ou deviam ter) uma leitura política. Significam uma insatisfação com a generalidade dos candidatos, com esta forma de política. Significam uma ambição por políticos mais elevados. Não são votos contra o regime; são votos pela elevação e desenvolvimento do regime democrático.
Que os políticos e comentadores de dentro do sistema ataquem este sentido de voto, é compreensível.
Porém, a explicação de Vital Moreira é infantil: obviamente que os votos em branco não são votos em Mário Soares. Nem em Manuel Alegre. Nem em Cavaco. E não serão contabilizados como tal. Isto é óbvio.
Pena que não se dedique a tentar interpretar o que significa que alguns (poucos) milhares de pessoas se desloquem à cabine de voto com o objectivo de não escolher ninguém. É claro que alguém tem de ser eleito. Mas é importante que os políticos saibam que há pessoas que, aparte as suas simpatias ideológicas, não se contentam com esta forma de política, assente em ilusões, em aparências, em clientelismos e falta de competências.
Não se trata de romantismo inspirado em José Saramago.
Também não se trata de terrorismo.
É antes uma forma de, civilizadamente, escolher em consciência um sentido de voto que melhor expressa as convicções pessoais.
Concordo que tem pouco impacto, dado o reduzido número de votos em branco, e a total ausência de interpretações públicas destes votos.
Porém, a política faz-se de pluralismo, e numa sociedade civilizada, as minorias têm de ser justamente consideradas.
Sem exageros.
Nem paternalismos arrogantes e ridículos.