24 de Novembro de 1993


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Há precisamente 12 anos, neste mesmo dia, realizou-se em Lisboa uma manifestação de estudantes do Ensino Superior. Estariam entre 1000 a 1500 manifestantes em frente ao Parlamento quando o inacreditável aconteceu.
O Corpo de Intervenção carrega, de forma brutal, não só sobre os estudantes que se manifestavam mas também sobre os muitos transeuntes que por ali circulavam, alguns já com uma idade avançada.
Polícias e cães fizeram dispersar os manifestantes, numa demonstração de força sem precedentes na hsitória das manifestações estudantis do pós-25 de Abril.
No dia seguinte, e de forma quase espontânea, cerca de 10 mil estudantes de todo o país regressaram à escadaria do Palácio de S. Bento. Ao entrarem na praça fronteira ao Palácio sentam-se de costas para o mesmo. Quando a praça estava quase cheia começa a ouvir-se a «Grândola Vila Morena», assobiada pelos manifestantes. Alguns instantes depois, uma estudante levanta-se, dirige-se à cerca metálica que protegia a escadaria do Parlamento, e entrega a um dos membros do Corpo de Intervenção um ramo de cravos. Ao meu lado, muitos choravam. E eu com eles. Emoção e raiva contidas num gesto e num coro de assobios a entoar aquela melodia tão simbólica.
Pelo meio dos manifestantes circulavam vários senhores de óculos escuros. O seu ar completamente comprometido e nada à vontade denunciava a presença de membros do SIS. Numa janela de uma velha casa situada num dos lados da praça, dois elementos da mesma «secreta» filmavam e fotogravam o que lá em baixo se passava e quem lá por baixo se manifestava.
A violência da repressão policial viria a sentir-se mais vezes. Foram os trabalhadores da TAP, foi o buzinão da Ponte 25 de Abril, foram várias outras manifestações estudantis.
O Primeiro-Ministro era Cavaco Silva e eu faço parte dessa geração que cresceu politicamente com a contestação ao seu Governo. Um Governo que permitiu o esbanjamento dos fundos comunitários sem qualquer tipo de controlo. Que demonstrou, por diversas vezes e das mais variadas formas, um autismo total perante a contestação social que aumentava de dia para dia.
Não consigo deixar de abrir a boca de espanto quando ouço os elogios que agora se fazem ao rigor orçamental e à gestão eficiente com que o Professor e os seus pares governaram, durante uma década, os destinos de Portugal. Será a memória dos portugueses assim tão fraca?
Por isto e por muito mais, eu não quero um Presidente assim para o meu País!

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3 Responses to "24 de Novembro de 1993"

  1. Blogger randomblog 

    Continuo a sentir um arrepio na espinha quando recordo esta manifestação e sobretudo da forma como a descreves.

  2. Blogger randomblog 

    Recordo-te também que doze dias antes (12 de Novembro de 1992) tínhamos assistido a uma das mais violentas reportagens televisivas e que deixou o país em estado de choque – o Massacre de Santa Cruz em Timor - uma carga policial dos militares da ditadura indonésia. No dia 25 de Novembro na Assembleia da República também recordo os abraços e a solidariedade dos companheiros timorenses que residiam em Portugal. Tanto para nós como para eles, a partir desses momentos, era impossível que as coisas ficassem na mesma.

  3. Blogger Chico 

    Eu faço parte da "geração cavaco". Era estudante nessa altura. Vivi esses problemas, indignei-me.
    Haja quem não se esquece. Haja sempre quem se relembre desses momentos sinistros, para que não se repitam.
    Foi em 1992. E se tivesse sido em 1972?
    Diferente, com certeza. Mas com muitas semelhanças, sem dúvida.

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Quem somos?

    Fazemos parte de uma geração que nasceu politicamente com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro. Organizámos e participámos em manifestações, vigílias e reuniões por um mundo que sabíamos não dever ser dominado por um gestor iluminado que com discursos de rigor escondia o desenhar da crise em que continuamos a viver. Porque temos memória, não esquecemos Cavaco, tal como não esquecemos os seus ministros. Não esquecemos as violentas cargas polícias sofridas, pelas escadarias da Assembleia da República e dentro das Universidades. Não esquecemos o spot da TSF que, da ponte 25 de Abril, lançava o grito para que "gajos ricos, gajos pobres"; se juntassem. Não esquecemos os políticos que Cavaco formou e que o continuaram; Durão Barroso, Santana Lopes, Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Alberto João Jardim. Não esquecemos em Cavaco, o contínuo desrespeito por tudo o que era cultura, arte ou memória. E também não esquecemos aquele dia em que Cavaco perdeu e que nos deixou reentrarmo-nos em torno das nossas vidas. Fomos desobedientes naquela altura e agora torna a ser necessário voltar a sê-lo!

    Ana
    Carlos Guedes [G.]
    Filipe Gil
    João Miguel Almeida
    João Paulo Saraiva
    Nuno Espadinha
    Tiago Mota Saraiva
    Z. N.

Centro de Estudos do Cavaquismo

    Quem faz uma procura na Internet sobre os anos em que este país viveu sob a égide de Cavaco, encontra muito pouca informação, quase nada. O Cavaco Fora de Belém é um blogue que pretende reavivar as memórias do que foi esse período negro da história de Portugal. Para tal propomo-nos recolher relatos, documentos, arquivos, imagens ou videos em formato digital, que nos permitam construir a história desse período e colocá-la online. Os vossos contributos, vindo directamente das caves e dos sotãos da história, podem ser enviados para este email: cavacoforabelem (@) gmail | com

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